Quando a vivência também é conhecimento: Indígenas Akroá-Gamella da LIEBI/PROETNOS no 37º FALE da UEMA
Por ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO DO PROETNOS em 31 de agosto de 2026

“O que acontece quando os saberes que durante muito tempo permaneceram à margem da universidade atravessam seus corredores, ocupam suas salas e passam a falar a partir de seus próprios sujeitos?”
Essa foi uma das questões levantadas por estudantes indígenas do Território Taquaritiua, localizada em Viana, no 37º Fórum Acadêmico de Letras. Cursistas do curso de Licenciatura Intercultural para a Educação Básica Indígena (LIEBI), da área de Ciências Humanas, apresentaram experiências, pesquisas e reflexões construídas a partir de seus territórios, memórias e vivências coletivas.
Mais do que apresentar trabalhos acadêmicos, os estudantes levaram ao espaço universitário histórias de vida, processos de retomada identitária, experiências de revitalização linguística e reflexões sobre território, ancestralidade e educação indígena.

Para uma das representantes indígenas presentes no Fórum, ocupar espaço acadêmico possui um significado que ultrapassa a dimensão individual.
Como professora dentro de seu território, mulher, mãe e representante do povo Akroá-Gamella, ela descreveu a experiência de estar na universidade como um momento profundamente simbólico e emocional.
“Estar aqui, pisando neste lugar onde eu não imaginava pisar dessa forma, me emociona. Estar presente com pessoas maravilhosas e educadores que nos ensinam, mas que também aprendem com a gente, é inspirador.” -Ana Celia -Indígena Akroá Gamella da LIEBI/PROETNOS.

A fala revela uma dimensão fundamental da presença indígena no ensino superior, não se trata apenas de acessar instituições historicamente construídas sem a participação efetiva desses povos, mas de transformá-las a partir de outras experiências de mundo.
Nesse sentido, a Profa. Dra. Marília Cerveiro, docente formadora da LIEBI/PROETNOS reflete sobre a participação da equipe de estudantes Akroá-Gamella no 37º FALE na UEMA:
“Eles estão falando de vivência e desconstruindo essa ideia que nós temos na academia de um saber formatado”, destacou-se durante o debate. “Eles vêm aqui ensinar pra gente que o saber está na oralidade também, e que aquilo que eles falam e dizem é conhecimento científico.” Profa. Dra. Marília de Carvalho Cerveira (PROETNOS/UEMA/)
A presença de estudantes indígenas do povo Akroá-Gamella durante o 37º Fórum Acadêmico de Letras, ocorrido entre os dias 26 a 28 de agosto de 2026 no campus Paulo VI da UEMA reafirmou o compromisso do PROETNOS em construir a vivência acadêmica como um espaço de encontro entre diferentes formas de produzir, atualizar e confluenciar conhecimentos.

Por: Natália Almeida/Estagiária sob supervisão da Equipe PROETNOS