DIA HISTÓRICO – COLAÇÃO DE GRAU DA PRIMEIRA TURMA DO CURSO DE LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO QUILOMBOLA DA UEMA
Por ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO DO PROETNOS em 20 de agosto de 2026
No dia 12 de agosto, no Campus da UEMA em São Bento, foi realizada a cerimônia de colação de grau da turma de Licenciatura em Educação Quilombola do PROETNOS/UEMA, graduação dedicada para a formação de professores(as) quilombolas oriundos de suas comunidades, sendo esta, a primeira graduação em licenciatura específica para comunidades quilombolas no/do Brasil.
Estiveram presentes no dispositivo de honra o Magnífico Reitor Prof. Walter Canales, a coordenação do PROETNOS Profa. Dra. Marivania Furtado e Profa. Dra. Tatiana Reis, os Pró-reitores Prof. Dr. Marcelo Cheche, Prof. Dr. José Rômulo Silva e Prof. Ms. Thiago Ferreira, a diretora do Campus São Bento Profa. Dra. Sánara Melo e a liderança do MOQUIBOM, Antônio Pavão.

A Universidade Estadual do Maranhão e o Programa de Formação Docente para a Diversidade Étnica escreve um capítulo importante na história da educação. O dia 12 de agosto ficará marcado, não apenas pela solenidade de colação de grau para a primeira turma de licenciatura voltada exclusivamente para a formação de professoras/es quilombolas a nível nacional, mas através desse processo, iniciar um ciclo de protagonismo na educação escolar nos territórios quilombolas por meio dos conhecimentos tradicionais, a ancestralidade, a memória, a oralidade e a corporeidade. As/os egressas/os da LIEQ poderão também atuar na gestão e no processo de implementação das Políticas Educacionais voltadas para as suas comunidades, de forma que a Educação Escolar Quilombola seja efetivada em todo o estado.
A criação da Licenciatura em Educação Quilombola (LIEQ) surge da demanda histórica dos Movimentos Quilombolas em todo o território nacional e, particularmente, no estado do Maranhão, que se destaca pelo número expressivo de comunidades quilombolas. Esse contexto norteia a configuração socioespacial da turma concludente, contemplando 28 quilombolas de diferentes comunidades inseridas em distintos munícipios da “Baixada Maranhense” como São Bento, Peri Mirim, Palmeirândia, Bacurituba, Santa Helena, Viana, Matinha, Cajapió, São Vicente Ferrer, São João Batista e Pinheiro.
A jornada dos 28 cursistas de diferentes espacialidades e histórias estiveram presentes no discurso da oradora da solenidade, Quedima Pereira Barros. Em seu emocionante discurso, lembrou dos diversos desafios que uma sociedade estruturada pelo preconceito e desigualdade impõe sobre pessoas racializadas, mas que foram enfrentados e continuarão sendo através de uma educação libertadora e antirracista.


A coordenadora do curso da LIEQ e paraninfa da turma e solenidade, Profa. Dra. Tatiana Reis, fez seu discurso trazendo sua própria história de vida como referência para um ponto chave em sua reflexão apresentada, a desterritorialização. Como mulher negra nascida na cidade de Cururupu, desde muito cedo precisou fazer o êxodo para São Luís com o objetivo de dar continuidade aos seus estudos.
As comunidades tradicionais (povos indígenas, comunidades quilombolas, quebradeiras de coco babaçu, entre outras diversidades étnico-cultural) diante da necessidade de ocupar espaços fora de sua realidade sociocultural de origem, o sentimento de “não pertencer” os atravessa, pois, o racismo estrutural e o sistema capitalista as desterritorializa. Essas estruturas da formação social, além de expulsarem comunidades de suas terras, faz com que se sintam “sem território” dentro de espaços acadêmicos.
A reflexão sobre desterritorialização, além de apresentar a importância da oferta do curso em uma localização favorável para as comunidades quilombolas inseridas na Baixada Maranhense, indica que a possibilidade do ingresso no ensino superior, gratuito e de qualidade não afete suas territorialidades e pertencimentos, além disso, tenham acesso a uma experiência educacional capaz de fortalecer a sua identidade étnico-racial dentro e fora da universidade.


Ao promover uma formação específica e diferenciada, a LIEQ garante aos discentes o direito de conhecer as especificidades étnico-culturais das comunidades quilombolas, o protagonismo do movimento quilombola assim como o seu histórico de lutas. A educação efetivada constitui uma fonte de fortalecimento da identidade, da cultura afro-brasileira e africana, ressignificada pelas comunidades quilombolas no estado do Maranhão.
Por fim, Quedima Barros nos apresenta a união e coletividade da turma, ao trazer em uníssono a música “Oro Mi Maió” em forma de agradecimento a jornada e ciclo:
Oro mi má
Oro mi maió
Oro mi maió
Yabado oyeyeo
“Aos que vieram antes de nós, a nossa eterna gratidão. Aos que vêm depois, a nossa promessa de manter o caminho aberto. Ubuntu, Eu sou porque nós somos!”.

Autoria: ASCOM PROETNOS.