Keila Câmera primeira egressa da Licenciatura em Educação Quilombola do PROETNOS a entrar no Mestrado PPGAFRO
Por ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO DO PROETNOS em 1 de outubro de 2026

A conclusão de um ciclo na educação superior representa um importante marco na trajetória acadêmica, profissional, pessoal e coletiva. Para Keila Câmera, egressa do curso de Licenciatura em Educação Quilombola do PROETNOS/UEMA, Campus São Bento, a conquista também carrega o significado da ancestralidade, do território e da luta coletiva pelo acesso no campo do ensino superior, gratuito e de qualidade.
Após quatro anos de formação, a LIEQ/PROETNOS se tornou a primeira graduação de Keila e a trilha para a entrada no Mestrado em em Estudos Africanos e Afro-brasileiros. Sua trajetória acadêmica foi construída em diálogo com sua vivência no Quilombo Contenda, comunidade que ocupa lugar central em sua história e identidade.
Ao falar sobre a conclusão do curso, Keila destaca que o diploma representa uma conquista coletiva, compartilhada com sua família, amigos e, especialmente, com a comunidade quilombola da qual faz parte.
“Eu não consigo nem descrever a sensação direito, mas costumo dizer que esse diploma não é só meu, ele é de todas e todos que partilharam desse processo comigo: a minha família, meus amigos/as e, principalmente, meu quilombo Contenda, que é a minha base, minhas raízes e também é família.”
A formação em Educação Quilombola integra uma perspectiva de ensino que considera as especificidades históricas, culturais e territoriais das comunidades quilombolas. Nesse sentido, a presença de estudantes quilombolas na universidade representa também a ampliação dos espaços de produção e circulação de conhecimentos relacionados aos seus próprios territórios e comunidades.
Para Keila, ocupar o espaço universitário é resultado de uma trajetória que antecede sua própria experiência acadêmica. Ela reconhece a contribuição das gerações que lutaram para ampliar o acesso das populações quilombolas à educação e destaca o caráter coletivo dessa conquista.
“É também daqueles que lutaram antes de mim para que hoje eu estivesse aqui, ocupando o espaço universitário, um espaço lutado e conquistado na base de muito suor e resistência.”
A perspectiva apresentada por Keila evidencia a relação entre educação superior, território e ancestralidade. Sua formação não é compreendida apenas como uma conquista individual, mas como parte de um processo histórico de resistência e construção de novas possibilidades para as gerações futuras.
Nesse sentido, a ancestralidade aparece como elemento fundamental de sua trajetória. Ao concluir a graduação, Keila também reafirma o compromisso de contribuir para a abertura de novos caminhos para aqueles que virão depois dela.
“Devo toda essa conquista à minha ancestralidade, então, sinto que devo honrá-los e abrir caminhos para aqueles que vêm depois e agora, como abriram para mim. É essa sensação que sinto.”
A trajetória de Keila Câmera representa, assim, a importância da presença quilombola no ensino superior e do fortalecimento de uma formação acadêmica comprometida com os territórios e com os saberes das comunidades. A conclusão da Licenciatura em Educação Quilombola e a entrada no Mestrado em Estudos Africanos e Afro-brasileiros, marca uma nova etapa de sua trajetória e reafirma o papel da educação como instrumento de valorização da identidade, da memória e da ancestralidade quilombola.
Por: Natália Almeida/Estagiária sob supervisão da Equipe PROETNOS