Estudantes indígenas do Proetnos apresentam materiais didáticos em escolas dos seus próprios territórios
Por ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO DO PROETNOS em 26 de junho de 2026
As obras foram produzidas na disciplina de Prática Curricular na Dimensão Escolar e celebram a memória, a língua, a inclusão e os saberes ancestrais das comunidades.

Com o objetivo de fortalecer o protagonismo indígena e a identidade cultural dentro e fora das salas de aula, acadêmicos do curso de Licenciatura Intercultural para a Educação Básica Indígena (Ciências Humanas), da Turma da Aldeia Piçarra Preta (Bom Jardim-MA), realizaram ao longo do mês de junho apresentações de materiais didáticos desenvolvidos no âmbito da disciplina de Prática Curricular na Dimensão Escolar, ministrada pelo Prof. Me. Edson Dias. Em um movimento de valorização dos saberes ancestrais, os estudantes apresentaram os trabalhos diretamente nas escolas e espaços culturais de seus territórios, reafirmando a missão do Programa Proetnos de fomentar a produção de conhecimentos específicos e diferenciados.
A primeira equipe, formada pelos estudantes Dieke Guajajara, Emille Guajajara, Ennys Guajajara, Elane Guajajara e Thaissa Guajajara, apresentou o livro “Maternidade, Economia e Escola: uma análise do esvaziamento estudantil na Zemu’e Haw Mainumy Zu” na escola indígena de mesmo nome. A obra investiga a redução de matrículas na Aldeia Piçarra Preta, relacionando o fenômeno às transformações do território, como a construção da BR-316, e buscando caminhos para a permanência escolar através da valorização de saberes ancestrais. Dando continuidade às atividades, a segunda equipe, formada por Wirapitang Ka’apor, Pina’ite Ka’apor, Oquire Ka’apor e Wai Ka’apor, apresentou na Aldeia Parakuirenda (Terra Indígena Alto Turiaçu) um material sobre a riqueza dos rituais Ka’apor, detalhando cerimônias que marcam fases da vida e a ligação inseparável com a proteção da terra, celebrando o ineditismo de uma obra elaborada pelos próprios membros da etnia.
Em declaração conjunta, os estudantes destacaram a emoção com a iniciativa:
Foi um momento muito especial para nós, acadêmicos Ka’apor, porque foi o primeiro material didático elaborado por nós mesmos, baseado nos conhecimentos do nosso povo. Ficamos muito felizes em apresentar esse trabalho à comunidade, valorizando nossa cultura, fortalecendo nossa identidade e contribuindo para que os saberes Ka’apor sejam preservados e transmitidos às futuras gerações.
Marcos Tembé, Pina iró Ka’apor e Valdicilene Tembé exploraram os significados da pintura corporal Ka’apor, documentando o uso de jenipapo e urucum em marcações que distinguem diferentes papéis sociais e etapas da vida, enquanto contextualizavam a resistência da Aldeia Ywera. Na mesma linha de preservação cultural, Deilane Guajajara Tembé e Eliana Guajajara Alves apresentaram na Aldeia Maçaranduba o livro sobre a língua Tentehar, tratando o idioma não apenas como comunicação, mas como um patrimônio vivo que sustenta a visão de mundo e a resistência do povo frente aos processos históricos de apagamento.
Ana Guajajara, Cristina Guajajara, Derlane Guajajara e Genildo Guajajara apresentaram na Aldeia Januária uma obra sobre a memória e a resistência Guajajara, que traz como diferencial o debate sobre a inclusão de pessoas com deficiência na comunidade, incluindo a adaptação de cantos sagrados para a Língua Brasileira de Sinais (Libras). Por sua vez, Iwãtãrixã Kaapor, Irakadju Kaapor, Rosilene Tembé, Quitino Kaapor e Putykyná Kaapor apresentaram na Aldeia Turizinho o material “Aprendemos com a Floresta”, que destaca o território como uma escola viva, documentando desde a extração de tintas naturais até a conquista do projeto de Pedagogia da Alternância.
Já a sétima equipe, composta pelos acadêmicos Samuel Myraran Ka’apor, Ingaran Kaapor e Inga Uwi Ka’apor, apresentou o material “Saberes e Fazeres do/no Território Alto Turiaçu do Povo Ka’apor na Aldeia”, com foco na história e na educação da Aldeia Waxinguirenda. O livro registra o processo de ocupação e resistência da comunidade contra invasores, bem como a trajetória da educação formal na aldeia, desde o contato inicial até as conquistas recentes. A obra também preserva elementos fundamentais da identidade Ka’apor, como os rituais de nomeação das crianças, a importância do artesanato e os cantos tradicionais que fortalecem a língua materna.
Ao unir a educação escolar aos conhecimentos tradicionais, os projetos desenvolvidos pelos estudantes da UEMA não apenas fortalecem a identidade Guajajara e Ka’apor, mas garantem que os saberes ancestrais continuem florescendo e orientando as futuras gerações em seus territórios.

Por: Leandro Chaves/Ascom Programa Proetnos