Estudantes da Licenciatura em Educação Quilombola do Proetnos/Uema realizam vivência afrocentrada no Centro Histórico de São Luís
Por ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO DO PROETNOS em 1 de abril de 2026
Em uma proposta que articula teoria, prática e compromisso social, estudantes da Licenciatura em Educação Quilombola (LIEQ) do Programa de Formação Docente para a Diversidade Étnica (PROETNOS), participaram de uma aula de campo no Centro Histórico de São Luís. A atividade integrou a disciplina Fundamentos e Metodologia do Ensino da Arte Afrocentrada, ministrada pela professora Dra. Reinilda Oliveira.

Realizada no dia 27 de março, a vivência teve como tema “Entre presenças e ausências: vivência afrocentrada no Centro Histórico de São Luís”, e proporcionou aos estudantes uma experiência formativa voltada à análise crítica da presença e, sobretudo, das ausências da arte e da cultura afro-brasileira nos espaços urbanos, museais e comerciais da capital maranhense.
A atividade teve início com a saída do grupo do campus da UEMA em Itapecuru-Mirim, seguindo para o Centro Histórico de São Luís, onde foi desenvolvido um percurso por importantes equipamentos culturais, como o Museu Casa de Nhozinho, o Museu de Artes Visuais, o Museu do Reggae, a Casa do Tambor de Crioula, o Museu de Arqueologia e o Centro Cultural Vale Maranhão. O roteiro incluiu ainda a Feirinha da Praia Grande e o circuito de comércio cultural da região, possibilitando uma leitura ampliada do território.
A professora Reinilda Oliveira destacou que
os estudantes foram instigados a observar criticamente como a cultura e arte afro-brasileira é representada nesses espaços, questionando processos de invisibilização, folclorização e marginalização das produções negras. A proposta também incentivou reflexões sobre quem ocupa o centro das narrativas históricas e culturais da cidade, evidenciando relações de poder que atravessam questões de raça, memória e patrimônio.
A iniciativa reforça o compromisso do Programa Proetnos com uma formação acadêmica contextualizada, crítica e socialmente comprometida, especialmente ao considerar que os estudantes são oriundos de comunidades quilombolas do interior do Maranhão. O acesso a espaços culturais da capital, nesse sentido, configura-se como uma estratégia fundamental para garantir equidade na formação e ampliar repertórios culturais e políticos.
Como desdobramento da atividade, os estudantes produziram relatórios reflexivos nos quais analisaram, de forma crítica, as experiências vivenciadas, articulando-as com conceitos trabalhados em sala, como afrocentricidade, epistemologias do sul e sociologia das ausências.
Mais do que uma aula de campo, a vivência se constitui como uma experiência pedagógica potente, que desloca o conhecimento do campo teórico para uma dimensão vivida, sensível e politicamente engajada, fortalecendo a formação de sujeitos críticos e comprometidos com a valorização das culturas afro-brasileiras e quilombolas.






Por: Leandro Chaves/Ascom Programa Proetnos e Reinilda Oliveira, docente formadora no Proetnos/Uema