Educação inclusiva e intercultural do PROETNOS/UEMA ganha visibilidade internacional na COP30


Por em 18 de novembro de 2025



Na última segunda-feira (17), a experiência positiva do Programa de Formação Docente para a Diversidade Étnica (PROETNOS/UEMA) foi apresentada no Espaço Brasil Nordeste, na Zona Verde da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP-30), em Belém (PA). O programa foi apresentado pela coordenadora geral Marivania Furtado no painel ‘Inclusão e Interculturalidade’.

Implementado pela Universidade Estadual do Maranhão (Uema) em 2016, o Proetnos tem como propósito formar e capacitar indígenas e quilombolas, oferecendo licenciaturas específicas e diferenciadas para que possam atuar nas escolas de suas próprias comunidades. O programa nasceu como resposta à antiga reivindicação dos povos tradicionais por uma educação mais inclusiva, diversa e representativa.

Por meio dessa iniciativa, a Uema busca construir novas formas de relacionamento entre os conhecimentos e as histórias das comunidades tradicionais e o saber acadêmico ocidental, contribuindo para corrigir desigualdades históricas que ainda demandam reparação. Durante sua participação na COP30, a coordenadora do Proetnos, Marivânia Furtado, reforçou a relevância do projeto.

“É necessário integrar indígenas e quilombolas no ensino superior para reverter o quadro de assimetria que nós temos, ainda, na presença de pessoas que são qualificadas, mas que não estão contextualizadas nos territórios étnicos. Dessa forma, a Uema tem investido em cursos superiores para que essas escolarizações nos territórios sejam, de fato, contextualizadas com uma educação intercultural específica, diferenciada e antirracista”, afirmou.

Também presente no painel, a coordenadora do Núcleo de Tecnologias para a Educação da Uema, Lígia Tchaicka, ressaltou a importância da presença maranhense na COP30, especialmente pela grande diversidade de povos no estado. Ela destacou ainda a relevância de compartilhar essas iniciativas para que possam ser ampliadas e servir de referência no enfrentamento das mudanças climáticas.

“Apresentamos algumas iniciativas da Universidade Estadual do Maranhão que buscam usar o patrimônio biocultural e o conhecimento tradicional aliado ao conhecimento científico para fazer uma formação sobre a mudança climática. São cursos superiores, cursos curtos e atividades desenvolvidas em comunidades indígenas e em comunidades da área costeira, que estão trabalhando as questões ligadas ao clima e formando cidadãos para essas mudanças que estamos passando”, explicou.

A secretária adjunta de Educação Escolar Indígena do Maranhão, Cintia Guajajara, reforçou a importância do apoio institucional para que essas formações ocorram efetivamente nos territórios tradicionais. Ela lembrou que professores indígenas maranhenses têm acesso a cursos de qualificação tanto na Uema quanto em instituições de outros estados, como em Goiânia (GO), por meio de bolsas de estudo.

“Quando os professores indígenas têm a oportunidade de ingressar na licenciatura, isso é um ganho muito grande para as comunidades, para a educação escolar indígena. Então esse projeto é muito importante porque ele se aproxima da nossa realidade, o conhecimento indígena com o conhecimento universal, para que o professor indígena seja o protagonista, o autor e o produtor do seu conhecimento”, ressaltou.

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Sobre o Proetnos
Criado em 2016, o Programa de Formação Docente para a Diversidade Étnica (Proetnos) baseia-se em princípios como: reconhecer as diferenças como fundamento para garantir a igualdade em todas as dimensões; valorizar os modos próprios de ensinar e aprender, incluindo formas específicas de avaliação; fortalecer as habilidades de leitura e escrita sem diminuir a importância da oralidade; integrar saberes em diversos espaços formativos; promover o diálogo entre diferentes racionalidades, buscando o bem viver; e estabelecer relações complementares e equilibradas entre conhecimentos tradicionais e acadêmicos, permitindo uma troca efetiva entre ambos.

Por: Assessoria de Comunicação Proetnos/Uema, com informações da Secretaria de Comunicação Social (Secom) do Governo do Estado do Maranhão.



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